9.11.09

Dica para sobreviver morando sozinho no exterior 2

Quando comecei a morar no exterior, uma amiga escreveu um documento, de mesmo título do post, para eu trazer comigo. Mais de nove meses depois, trago uma revisão com tópicos aleatórios e separados que podem ajudar estudantes brasileiros no exterior.


Faça feijão

Pode parecer bobagem, porque feijão é muito, muito, muito difícil de fazer e impossível de engrossar o caldo. No entanto, comer feijão está no seu DNA de brasileiro desgraçado e se você fizer proporções homéricas terá uma alimentação nutritiva por dias.


Nunca guarde as suas roupas

Essa é difícil e tem algumas cláusulas de cessação de contato. Ou seja, é complicado de cumprir quando chove ou quando o varal é coletivo. Mas sério, se você puder, nunca tire as suas roupas do lugar onde elas secam. Poupará o trabalho maldito de dobrar e você terá um guarda roupa ao ar livre.


Sua parte é o álcool

Se você começar a se apresentar como o cara que sempre leva bebida aos lugares, as pessoas não se importarão com a sua postura morta de fome à mesa. Funciona e ameniza o fato que você já ia gastar tudo em álcool mesmo. Sem contar que as suas compras são realizadas no super mercado, o lugar mais barato para se beber. Essa dica é uma manobra especial para buscar pratos mais refinados.


Trabalhe num lugar que te dê comida

Isso provavelmente vai deixar tudo mais fácil. Apesar de mais sujo.


Tenha os hits brasileiros

Utilize essa tática e todos vão te adorar. Admita que ouve a música da periguete desde criança. Quer ouvir Kiss e Metalica? Feche a porta do seu quarto e coloque os fones de ouvido.


A melhor das águas é a da torneira

Sempre acessível, límpida e cristalina. Esqueça o que os outros falam e beba sempre água da torneira. Sucos e refrigerantes engordam. Sem contar que não gastar garrafas plásticas está na moda.


Não se relacione com brasileiros

Esse é o maior erro que você pode fazer. Evite sempre se relacionar com brasileiros. Se puder, disfarce o seu sotaque ou finja só falar outra língua.



*Nota do autor: Eu não me identifico, de maneira alguma, com qualquer uma dessas dicas. Elas são mérito de observação aguçada e relatos de outros amigos.

2.11.09

Inale por poesita, bra!

Se não é sua vida, é efémero.


A publicidade é a nossa vida, mas é efémera.


Para nós. Quando bem feita, não é para os outros.


Mas nós nos envolvemos em muitas efemeridades.


E daí de ser efémera.


Eu descobri essa palavra esse ano, e tenho usado um monte.


É o que as crianças fazem com brinquedos novos.


Não quero largar o efémero.


Efémero, efémera, efémeros.


Coloquei o Google Adsense no blog pra ver se ganho uma grana. Desculpa.

26.10.09

Manifestações

Duas grandes manifestações. Adivinhe qual eu acho graça e qual eu digo "Dale Nuno Gomes".


- Alternativa altamente estratégica e criativa para o aproveitamento fantástico de sachês de açúcar em tempos terríveis.

- Perfeita ocasião para eu criar um teaser e dizer que a ATM vem aí.

23.10.09

Deus meus, exaclamente*

a Tina fez um blog.


“Olá, tentei falar contigo várias vezes no gtalk, mas tu não respondeu, então escrevo para avisar que finalmente eu fiz um blog, e te convidar para visitar:


http://fragmentosdeconversa.blogspot.com/


é isso, beijos!”


Há muito tempo sabemos que a Martina Scherrer guarda frases soltas que houve por aí. Agora, temos acesso a esse material através daquele endereço. yesssssssssssssss


*Deus meus e exaclamente são palavras das raparigas estrangeiras que moram comigo e que tenho colecionado. As palavras, não as raparigas.

12.10.09

Stansted

O Gian, amigo meu, falou durante 20 dias no planejamento de uma tal empresa chinesa que estava estudando a viabilidade de fazer voos em que as pessoas vão de pé.


Olhando o aeroporto de Stansted, o terceiro de Londres, parece que pode mesmo acontecer. É o retrato do varejão que se transportar de avião virou. Pelo menos aqui na Europa.

Mas, como o Gian mostrava o passaporte para os italianos, dizia ter as suas mesmas origens na frente dos alemães e para o pai da Agnieszka, na Polonia, apontou no mapa a cidade polonesa da qual sua família tinha vindo, podemos considerar os fatos como rumores vindos de um farsante.

Brincadeiras à parte, aquele Stansted já está quase pior que a rodoviária de Porto Alegre. No caso , é claro, de você não ter dinheiro para se refugiar numa loja. Ou ter fobia a isso.

Mas mais que um texto babaca, esse post é um serviço de utilidade pública. Então se você quiser, algum dia, reclamar qualquer coisa para a Ryanair, como dinheiro, pode usar este endereço:

To Ryanair Customer Service Department.

PO BOX 11451

SWORDS

CO. DUBLIN IRELAND


Cortesia do aeroporto de Wroclaw.


Tags: Ryanair, reclamações Ryanair, Ryanair complaints, Ryanair refund.

8.10.09

O consumidor esta' sempre no comando

A frase e' velha, mas tem me feito pensar.

Meu voo pela Ryanair foi cancelado, e o companheiro que trabalhava no aeroporto disse que eu tinha tido sorte de conseguir remarcar meus bilhetes da Polonia para a Inglaterra e da Inglaterra para Portugal.

No Brasil, teriamos ganhado transporte ate o hotel e uma noite aconchegante ate' o proximo voo. Com uma companhia normal, tambem.

Foi diferente.

So' ganhei as passagens novas. Em vez de ir na terca, so' me disponibilizaram aviao na quinta-feira. E chega de conversa. Se vira ate' la'.

Mas, servico a parte, me pergunto: as pessoas no comando?

E quem disser que a Ryanair nao esta' bombando e' um mentiroso.

21.9.09

Poeminha idiota

A vida é sempre pessimista,
e o pessimismo a vida faz passar.
Nunca pensa em como acontece,
e tudo acontece como pensou

2.9.09

WYhelp 2ª Edição

A empresa que trabalho pertence a um grupo chamado Wy - www.wygroup.net. Agora, estamos na segunda edição de uma iniciativa chamada WYhelp, que elege uma instituição carente e mobiliza toda a "malta" para doar bens que necessitam.

A campanha de recolha começou ontem e vai até dia 10. É uma iniciativa bacana, daquele tipo de coisas que todas as empresas deveriam fazer. Até mesmo por ser bem simples.

Mas, além disso, também trago aqui pro blog por querer compartilhar esse trabalho que gostei de fazer.


Peça "Caderno"


Peça "Quadro Negro"


Digamos assim... hum... o lado belo da profissão.

31.8.09

The Ugly Truth

Esses dias aí, terça-feira, fui ao cinema. Ainda não tinha ido, durante toda a minha estadia em Portugal, ver filme de cartaz, aqueles blockbusters. Até agora, só mostra de cinema, filmes no Bacalhoeiro ou no meu laptop. Ou seja, só coisa diferente do que passa nas salas tradicionais.


Antes de terça, o Zé me xingava dizendo que minha geração era inculta. Além de ser uma total verdade, poderíamos seguir e dizer que somos uma geração de merda em todos os outros aspectos. E até mesmo por eu ser tão inculto, dou como exemplo o Austin Powers para justificar a última frase: quando ele é descongelado, em algum dos seus filmes, tudo de bom que ele tinha já não existe mais.


Agora, acontece que não é culpa minha, nem tua, sermos tão assim... alienados. Fui ver o “The Ugly Truth” (O ABC da sedução), uma comédia romântica norte-americana. Fazia, no mínimo, oito meses que não via nada do gênero. Estava me aproximando dum nível “Elisa Arroque” de tipo de diversão. Já não podia mais achar graça naquilo. Já me passava pela cabeça que aquilo era “tão bobinho”, como diz a Elisa.


“The Ugly Truth” é uma prova viva da geração de merda que é a minha, envolta num ciclo podre criado por uns caras que, literalmente, estão fudendo tudo. É um filme que (como as novelas, as músicas, a internet, os shoppings) não propõe nada de real. Tudo que tem ali é uma palhaçada para iludir um povo bobo que gosta daquilo. Um ciclo vicioso.


20.8.09

Google Maps em Lisboa

Tem duas coisas que passaram a fazer parte do meu dia-a-dia aqui em Lisboa. O celular (telemóvel) e o Google Maps. Agora, esse street view tá muito bacana. Eis a minha casa: a portinha azul à direita.

18.8.09

O funcionamento do cérebro feminino

Hoje, quando estava no banho, finalmente desvendei todos os segredos e particularidades do cérebro humano feminino. Pode parecer um pouco estranho, eu sei, mas foi o que aconteceu. A partir deste 18 de Setembro, já durante a minha dose matinal de higiene, me tornei o primeiro homem a entender perfeitamente como pensam as mulheres.


É claro, como você já sabe, que não conseguirei expressar em palavras o complexo funcionamento que descobri. Foram anos de trabalhos afinco e, através de estudos estatísticos, algumas experiências próprias e métodos de observação profunda e analisada, cheguei a um modelo perfeito desse complexo objeto, podendo prever todas as arbitrariedades e esquivos momentâneos.


O estalo fora tão esclarecedor que pude perceber como todas as partes se encaixam sempre em todos os casos. No final das contas, por mais complexo que tudo pareça, o cérebro humano feminino funciona de uma maneira normal e coerente. Se eu pudesse, escreveria a fórmula matemática, tamanha a precisão.


Sei que foram diversos os fatores que me permitiram chegar a esta fenomenal conclusão. A massa com lulas de ontem, a dispensa seca da minha ex-namorada após aquelas minhas perguntas idiotas e o gol que perdi em 1997 foram essenciais para eu atingir um grau de esclarecimento nunca antes visto.


Me sinto bem. Sou o primeiro homem da face da Terra a entender por inteiro o complexo funcionamento do pensamento feminino e todas as suas vertentes e ramificações.

16.8.09

Cem anos de solidão

Acabo de ler os Cem anos de Solidão de Gabriel García Márquez. É obvio que não farei nenhum comentário aberto sobre o livro. Em vez disso, resolvi confeccionar uma breve lista de slogans de marcas que não se aplicariam a você (e, claro, a mim! Principalmente a mim!) se tivesse que escrever um livro como este:


- Just do it (Nike)

- Impossible is nothing (Adidas)

- Simples assim (Oi)

- Você pode ser o que quiser (O Boticário)

- Conte comigo (Chevrolet)

Colaborou a Wikipedia.

15.8.09

É a vida...


Na By, como aqui em casa, a gente faz coleta seletiva de lixo e tem que levar aos lixões de "plástico", "papel" ou "vidro/metal" de tempo em tempo. Na agência, somos dividos em duplas e, quando chega nossa vez, temos que levar tudo lá para baixo. Outro dia fomos eu e a Romana, e o nosso trabalho ficou um pouco dificultado pois algum companheiro de atraso mundial estacionou o carro na frente dos lixos. Mas outro dia, quando estou a sair do trabalho, justo numa sexta-feira, veja lá que presente esse mundo não me dá:

13.8.09

Catar piolhos

Sabe o que é mais doido? A nossa voz.


Pensa bem. Quando a gente fala outra língua, diferente da materna, temos uma entonação diferente. Então eu chego a conclusão que nós mesmos definimos (parcialmente) com qual som a nossa voz sai.


Como vocês sabem, a maneira como nós ouvimos o que falamos é diferente da que os outros ouvem. E como também sabem, tudo o que fazemos é para os outros, e não para nós próprios. Então, a gente faz uma voz que nós gostaríamos que os outros ouvissem, mas apenas nós mesmos somos capazes de tal perspicácia. O que os outros ouvem não passa de uma distorção, algo que nos repugna quando ouvimos em uma gravação.


No entanto, enquanto sociedade, temos o desejo irrefutável de imitar e imitar. Porra. Aí tu olha pro teu amigo, que visivelmente está entoando a sua voz para que fique agradável para nós, quando na verdade apenas o fica para ele.


Mas o doido disso é que, quando ele está a fazer aquela voz, que tenta ser agradável para nós e acaba por ser irritante para ele, se ele o ouvisse em uma gravação, ele está a imitar a nossa voz, que é irritante para nós se nos ouvíssemos em uma gravação porque fizemos uma voz imitada das pessoas que fazem vozes que irritam a si próprias com aquela maneira que elas falam, apesar de todos estarem acostumados.

27.7.09

Dedos e pensamento


Semana passada li Budapeste, de Chico Boarque. Foi depois de um grande tempo sem ler nada do gênero. Me lembrei de como gosto.


Fiquei me perguntando se o autor escreveu o livro em uma sentada, do mesmo jeito que se lê. A impressão que dá é que um gênio sentou numa cadeira na frente de um computador e seus dedos cantaram uma grande obra.


Me deu mais vontade de escrever. Reforçou, pra mim, um lance muito bacana de conexão de dedos com cérebro. É uma cena que você vai escrevendo o que lhe dá na telha, numa velocidade muito grande. Depois, se precisar, você entra nos moldes que o trabalho pede.


Um prazer. Um lazer.

20.7.09

Sopa com o bandido

Uma carteira roubada foi encontrada. Inteira, só não tinha dinheiro. Mas documentos e cartões de crédito ainda estavam ali. Com a polícia fora do processo (eles gentilmente reconheceram sua inutilidade), ficou fácil rastrear a turista francesa na web e enviar para o seu endereço o objeto roubado.


Naquela sexta-feira, pareceu impossível tomar as providências cabíveis na hora. Faltavam 10 minutos para o fecho do café e eu precisava ir pra festa. Era sexta de noite, e tenho tanto direito de me divertir quanto você. Jurei pra mim mesmo que encontraria a turista depois, madrugada a dentro. Como conta o primeiro parágrafo, o fiz.


Uma bolsa roubada não foi encontrada. Não era turista, mas sim portuguesa. A frequentar o café Jeronimo num sábado, nada a mais. Estava preocupada, e soube tudo a respeito da carteira roubada. Nada podia ser feito por hora. A não ser comprovar. Comprovar que eles estão a solta, com chapéus de aba e mapas na mão. São diversos, os “carteiristas”. Todos eles se concentram ou no Jeronimo Bairro Alto, ou no do Rossio. Os dois lugares estão cheios de franguinhos a espera de serem abatidos.


Ontem, e ante-ontem, todos os carteiristas dão ainda mais a cara em Lisboa. Sábado e domingo eles infestam, como pragas (ou ratos), o café. Reconheço a grande maioria, e revelo novos a medida do possível. Quando eles entram, faço questão de destinar a minha atenção pra sala. E porque não encará-los também? Fiz tanto isso este fim de semana que, quando estava a tomar minha sopa no fim de domingo, nós já sabíamos que não haveria nenhum roubo ali. No entanto, há de se entender que um dos dois venha sentar ao meu lado, talvez um forma de comunicação particular entre nós. Quando ele acabou de beber o café, e levar até a copa (ele sempre leva, é muito gentil), fiz questão de cumprimentá-lo. Eu sei quem tu é, e tu sabe quem sou.

17.7.09

Quase um mês depois...

Insight bacana. Fora todas as outras, sinto uma grande diferença entre Windows e Mac. No primeiro, a organização das janelas é algo muito agradável. É bom deixar tudo sempre certinho, e aquele documento/página da web inutilizado tem que ser fechado. No Mac, não sinto necessidade de fechar nada. Fica uma grande bagunça.

15.7.09

Na ponta da língua

Para a minha profissão, a certo tempo tomei uma decisão. Ela diz que, para os meus trabalhos terem boas ideias, preciso construir resultados com meus colegas. Aquele lance de um impulsiona o outro, e aí sim a coisa sai boa.


Esse princípio é o que mais tenho gostado de viver aqui na By. Além de “referências para que te quero”, as coisas sempre saem melhor quando tem bastante tempo de olho no olho.


(...)


Vou me mudar em Agosto. Vou pra uma casa onde ninguém fala português. Em Lisboa. Tem gente de tudo quanto é lugar do mundo.


O primeiro semestre que vivi aqui foi um festival de bahs, tches e tris. Teve a sua beleza. Agora, parece, mergulho de cabeça no poço.


O mergulho é pela vida ecléctica.

10.7.09

Cecile, have you lost a wallet?

Yesterday, while I was cleaning the coffee where I work, I found a wallet with documents of Cecile Gendraud. Of course, there was no money, but your credit cards and documents where there. So, if you are still in Lisbon, go to this adress:




It's very easy to find. It's a JERONYMO COFFEE at Rua da Misericordia. I will be there just after 16 pm, but you can claim for your wallet with any of my coulleagues...

4.7.09

Mais uma crônica sobre o Grêmio e a Libertadores 2009

Se meu companheiro de trabalho Zé Antônio visse a falta de síntese que esse título tem, ele provavelmente me mataria. Mas foi intencional. Agora que sou redator, me sinto ainda com mais vontade de escrever uma novela que nunca será publicada. Ou melhor, continuar a escrever. Só não tenho tido tempo. No entanto, como acusa o título, realmente vou falar sobre o Grêmio nesse post. Esse parágrafo foi apenas um pequeno reflexo dos sinais de loucura que venho exibindo. Continuo:

Acordei na sexta-feira triste como todo o gremista. Havia dormido apenas 4 horas, depois de um dia de trabalho de 13 (que, na verdade, vai das 9:30 até a 1:30 da manhã). Naquele dia, a carga horária seria a mesma.

Eu ainda não podia acreditar que o Grêmio havia sido eliminado. Mais que em 2007, eu dava o tricampeonato como certo e me imaginava com a mão na taça.

Para completar o quadro da dor, não achava meu passe de trem, meu meio de transporte para a agência. Bom, aquilo me deixou muito fodido, pois eu achava que teria que pagar os 40 euros mensais de novo. Se você faz um estágio não remunerado e ganha um sub-salário em um café, é muito. Se seu time recém foi eliminado da Libertadores, é como perder uma casa.

Claro que, posta a situação, ainda algumas coisas piores iriam acontecer. Já estava atrasado e não conseguiria pegar o trem as 8:47, só o das 9:02. No entanto, decidi ir correndo ao café procurar meu passe, num último suspiro. Não deu certo e fui a pé até a estação para tentar pegar o das 9:17. Não consegui. Perdi apenas porque tinha que pagar o passe de novo. Apanhei o das 9:32 e cheguei meia hora atrasado.

Por favor, pediria para você notar que tenho uma atitude um pouco diferente da grande maioria da torcida gremista ao enfrentar diversidade. Número um, eu não acho graça nenhuma em tirar segundo lugar heróico, nem em “recuperar a honra” no segundo tempo. Acho isso uma merda e só me interessa a taça. Número dois, eu tenho um anti-comportamento no que diz respeito a manifestações faladas ao time. Após o segundo gol, se eu estivesse no Olímpico quinta-feira (e como queria estar!), provavelmente eu estaria cantando, nas cadeiras, tanto quanto os melhores gremistas da geral. Por razões pessoais, também não posso assistir o jogo de geral. É incompatível. Meu papel social no Grêmio é outro. Dessa maneira, eu seria um daqueles torcedores pulando feito um doido ao tomar 2 a 0 do Cruzeiro e estaria mais brabo que qualquer senhor de 60 anos gritando “burro” para o Paulo Autuori, um nítido colorado disfarçado.

Logo, depois de uma derrota como a de quinta-feira, geralmente estou muito irritado, brabo e triste. Mas saio com a camisa do Grêmio. Porque é assim que funciona o meu gremismo.

Admito. Sexta-feira não estava com a camisa. Ela não precisava ser vestida por fora. Ninguém no meu trabalho, fora o Zé, sabia que o Grêmio havia sido eliminado. O conflito era interno. De certa forma, acho que isso aliviou a dor.

Durante o dia, meus problemas foram se resolvendo. Acharam meu passe no café e eu dei uma agradável volta pelos jardins públicos de Oeiras. No entanto, tudo a respeito de futebol ainda estava completamente fudido. Eu ainda não acreditava que o Grêmio havia sido desclassificado. Foi quando decidi:

Torcer pro Grêmio não é diversão. É compromisso, é vida.

E, além disso, uma mensagem clara na minha cabeça: Você pode fugir, mas não pode se esconder. Eu te quero e não importa o que eu tenha que fazer, eu vou te conquistar. Não sei quão longe vou ter que ir. Não sei se terei que assumir a presidência pra te roubar pra mim. Mas tu vai ser minha. Espera. É tudo que tu pode fazer. Porque esse é um caminho sem dúvida.